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NAVEGUE
COM MÚSICA
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AS
DANÇAS CIRCULARES NO BRASIL
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O
texto a seguir é resultado do trabalho de
reflexão sobre os pilares do movimento das
"Danças Circulares Sagradas" no
Brasil, iniciado no IV Encontro Brasileiro de Danças
Circulares Sagradas, realizado de 25 a 29 de maio
de 2005, no Hotel Rancho Silvestre (Embu, SP), sob
a organização do grupo "Roda
dos Povos", constituído por Andréa
Leoncini, Renata Ramos e Sônia Lima.
O
SAGRADO
Nós
acreditamos que o sagrado é o (re) ligar
do ser com a fonte, com a essência. A conexão
com a essência de cada um e o encontro com
a essência do outro, através da dança,
gera uma comunhão que se expande a todos
os seres. A intenção do dançarino
de estar inteiramente aberto e presente no aqui
e agora, somada às formas simbólicas,
circulares e ao pulsar rítmico da música
favorece a manifestação do sagrado
da dança.
INTEGRAÇÃO
DO SER
(nos planos físico, emocional, espiritual
e mental).
Existem três pilares essenciais para estar
presente na roda das DCS:
Atenção - a presença
constante
Confiança - pela entrega
Perdão - como permissão de
errar, acertar, aprender.
Nós
acreditamos que as DCS possibilitam a integração
das pessoas em seus diferentes níveis: físico,
emocional, mental e espiritual.
Nível físico: possibilita o
contato com o próprio corpo; melhora a coordenação
motora, a flexibilidade, lateralidade, ritmo, percepção
de si mesmo e do outro, das próprias dificuldades
e das potencialidades - leva a consciência
corporal, o contato e o encontro.
Nível emocional: possibilita a experimentação
das próprias emoções, amplia
a expressão das emoções e dos
sentimentos, aumenta a sensibilidade, melhora a
auto-estima, estimula a abertura para o outro, abre
o coração para os afetos, enfatiza
as emoções construtivas, como a alegria,
a confiança, trás ainda mais segurança,
desenvolve a paciência, a tolerância,
a aceitação do outro, dos próprios
limites, do diferente.
Nível mental: acalma a mente através
da meditação ativa, desenvolve o poder
de concentração, disciplina, exercita
a memória, leva a mente para o coração
e o coração para a mente.
Nível espiritual: possibilita abertura
de visão para além do nível
físico, o contato com o sagrado, com o eu
profundo - a Unidade.
Conclusão: As DCS possibilitam ter
mais consciência de como nos movimentamos
e transitamos em cada um dos quatro planos = físico,
emocional, mental e espiritual. As DCS atraem as
pessoas por entradas diferentes, por portas diversas
e possibilita a descoberta e vivência de outras
experiências que podem ser integradas em outros
níveis de realidade. As DCS levam à
vivência da totalidade, a experiência
da inteireza, juntando o trabalho físico
e emocional pelo ritmo, a harmonia, a cooperação,
a energia da roda que facilita o contato com a natureza
transpessoal de cada um e do grupo. As DCS criam
um processo orgânico que leva a aproximação
de Deus, do divino pelo caminho da arte, da meditação
ativa que alimenta a alma de forma plena e total.
As DCS levam "de volta para casa" para
nossa essência, para o nosso centro.
COOPERAÇÃO
Cooperação = cooperar com o coração
Saudação Maia = In lak ech - Eu sou
um outro você
Nós acreditamos que: "A cooperação
é o grande sentido da roda".
É o dar e receber das mãos pela força
do olhar, pela presença de cada corpo em
movimento.
É vivenciar experiências com o outro
que você não escolhe, podendo trazer
o encontro comigo, com o outro e com o grupo. É
respeitar as diferenças: o ritmo, o passo
e o espaço. Está na sustentação
e no compartilhar do saber. Enfim é conectar-se
ao sagrado.
A energia do coração e a luz, encontrados
nos movimentos circulares se expandem na força
das ações de cada dia, de todos aqueles
que dançam.
A Dança Circular Sagrada como coletividade
é uma das manifestações e expressão
da cooperação. A Dança Circular
Sagrada é uma ação, um fazer,
respeita a diversidade, valoriza a inclusão,
conectando-nos com o foco e trazendo a essência
do ser, da individualidade para a coletividade.
Saber e não fazer, ainda é não
saber (Ditado ZEN).
INCLUSÃO
E DIVERSIDADE
Faremos nossa reflexão sobre Inclusão
e Diversidade abordando dois aspectos:
· as DCS como um caminho para a inclusão
da diversidade
· o movimento das DCS no Brasil
01) DCS
Compreendemos que as Danças Circulares
criam um canal de inclusão e de respeito
a diversidade, a medida em que propiciam a conexão
de cada integrante com o seu potencial e auto-estima
em relação aos outros, podendo superar
suas dificuldades em constante processo de transformação
pessoal e coletiva.
As Danças Circulares propiciam aos participantes,
uma sensação de pertencimento a
um grupo que apresenta a qualidade de incluir
a todos, ultrapassando (ou devendo ultrapassar)
a perspectiva da competição e da
manifestação do ego.
Ao ser verdadeiramente incluído e ultrapassando
os limites de suas dificuldades pessoais com o
apoio da roda, o participante vivencia uma experiência
afirmativa e de "empoderamento" (percepção
concreta do "eu posso"). A dança,
assim, acaba por se tornar acessível a
todos (mesmo aos que apresentam maiores dificuldades).
Podemos dizer que este aspecto democrático
das DCS é um de seus maiores benefícios.
Partindo da definição de saúde
mental, que é a capacidade de pertencer,
queremos reforçar que a sensação
de pertencimento é condição
fundamental para manifestação da
saúde integral em seu amplo sentido. É
condição, inclusive, para que o
indivíduo possa adquirir o poder de conquistar
os outros aspectos da saúde, como a condição
para o trabalho, a socialização,
o alcance a moradia digna, etc.
02) O movimento das DCS no Brasil
O Brasil é um país que simboliza
a própria expressão da diversidade
em todos os sentidos, sendo um espaço propício
para a experiência e o aprendizado da inclusão.
As DCS são mais uma forma de se experienciar
a inclusão e deveriam estar presentes nos
mais diferentes espaços de construção
coletiva, transmitindo cultura e integrando os
diferentes. As DCS no Brasil, portanto, devem
significar a qualidade da inclusão à
diversidade de forma potencializada, pois que
de ambos esta é a sua própria natureza.
Chegamos, neste ponto, à importância
do papel do movimento das DCS no Brasil. "Há
de se ter coerência". É possível
ver aplicadas as qualidades - inclusão
e diversidade - nas rodas de DCS espalhadas pelo
país, se iniciarmos o propósito
da real prática das referidas qualidades
na própria Roda das DCS no Brasil. Há
de se esperar que os integrantes do movimento
manifestem concretamente em suas atitudes: a abertura
para o novo (que também agrega), a disponibilidade,
a aceitação do diferente, a tolerância,
o amor e o desejo da transformação
- movimento. É possível ver aplicadas
as qualidades - inclusão e diversidade
- nas rodas do país, se os integrantes
forem capazes de incluir na roda, as diversas
manifestações culturais e regionais
do Brasil. É possível ver aplicadas
as qualidades - inclusão e diversidade
- na grande roda das DCS, se formos capazes de
assegurar a todos os interessados - mesmo aqueles
com significativa dificuldade financeira - o acesso
a cursos, oficinas e Encontros (constituição
de fundos, bolsas de estudo, acesso aos portadores
de deficiência, etc.).
Acreditamos que há um caminho, que poderemos
trilhar, que facilite o alcance dessas possibilidades.
Pensamos que será importante realizar a
constituição de uma equipe representativa,
rotativa e legítima, estadual ou regional,
com atuação em âmbito nacional
e cujo papel será o de integrar a diversidade,
favorecer a articulação e a comunicação
entre os integrantes do movimento e organizar
Encontros periódicos e itinerantes que
agreguem as comunidades das DCS. Deve ser missão
desta equipe organizadora, busca os mecanismos
que garantam a continuidade saudável e
sagrada, com maior participação
do movimento das DCS no Brasil.
TRADIÇÃO
E CONTEMPORANEIDADE
Nós acreditamos que:
A tradição é a sustentação
/ base / pilar que alimenta a contemporaneidade.
A pesquisa das raízes, da cultura dos diferentes
povos é essencial para a manutenção
do sagrado nas novas criações, uma
vez que é natural esse caminhar das danças
ao longo do tempo. Há de se ter extremo
cuidado para que não haja a banalização
nas criações musicais e coreográficas
ou mesmo nas escolhas das músicas.
TRANSMISSÃO
DAS DANÇAS
Nós acreditamos que para a transmissão
das danças é importante:
· A conexão com a essência
do movimento das danças, mantendo o princípio
a partir do qual ela foi gerada.
· Respeito à fonte da dança,
honrando a tradição a que pertence,
mencionando o que é conhecido sobre ela,
como a música, a coreografia, o coreógrafo,
a simbologia e os aspectos sócio-culturais.
· Que caso haja adaptações
por diferentes motivos (atingir públicos
específicos, minimizar grau de dificuldades,
etc.) que sejam mencionadas, não se perdendo
assim o formato original.
· Que a transmissão das danças
esteja relacionada com o sagrado, a integração
do ser, a cooperação, a inclusão
e respeito à tradição e à
contemporaneidade.
· Não perder o conceito da ação
de transmitir, ou seja, a mensagem passa pelo
focalizador, mas não é posse deste,
o que requer habilidade e responsabilidade.
· Que o focalizador detenha a técnica,
mas também a conexão com o trabalho
das danças, com a sua própria essência,
com os valores na transmissão (cooperação,
empatia, sensibilidade, respeito, visão
do coletivo entre outras), desenvolvimento da
memória auditiva, motora, musicalidade.
Na dança não transmitimos apenas
passos, mas também idéias, o que
implica ao focalizador enriquecer sua bagagem
de vida.
· Considerar que a dança é
uma ferramenta e o que fazemos com ela faz a diferença,
tendo, pois, diferentes alcances:
o Lúdico (prazer do ato de dançar)
o Educacional (capacidade de aprender na roda,
consigo e com o coletivo)
o Filosofia de vida/cura (a partir da revisão
de valores e reconstrução de um
caminho de vida)
· Que o focalizador esteja atento às
necessidades do grupo, cuidando do bem estar das
pessoas nos quatro níveis (físico,
emocional, mental e espiritual), escolhendo repertório
adequado, minimizando a sua ansiedade e a do grupo,
que possam ser geradas.
· Criar uma ambiência (clima) favorável
à canalização da energia
necessária para cada dança a ser
desenvolvida.
· Que além da transmissão
oral e da vivência corporal se disponibilize
material didático escrito e visual, objetivando
preservar características da dança
(passos, história, referências, etc.)
· Também foi sugerida a criação
de uma organização que centralize
as premissas de formação do focalizador,
habilitando-o além de ser um centro de
referência de estudos das danças
circulares sagradas.
· E finalmente que a amorosidade permeie
a ação da transmissão.
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